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sábado, 16 de abril de 2011

Butoh e Pina Bausch


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O Butoh e a Dança Contemporânea de Pina Bausch não envolvem unicamente um exigente aquecimento, improvisações e trabalho coreográfico; eles também tentam dar uma visão mais aprofundada da filosofia do Butô, falando sobre o que Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata estavam pensando ao concebê-lo e sobre suas vidas como dançarinos de Butô, bem como Pina Bausch desenvolvia na Alemanha sem ambos se conhecerem.

Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata iniciaram suas pesquisas a partir da Segunda Guerra Mundial com Hiroshima e Nagasaki completamente destruídas pela bomba atômica. Isso gerou a possibilidade de reconstrução de um país, e naturalmente de sua cultura. Vimos um Japão com uma cultura disciplinada, rígida e regrada, onde os ornamentos para a sua Arte possuíam características belíssimas e ricas em detalhes, mesclando realidade e irrealidade pelo viés da verossimilhança, a ponto de não mais sabermos o que é real e o que não é. E é nesse ponto em que nasce a "dança Butoh". Butoh significa "dança das trevas", ao pé da letra. Mas o Butoh não é só isso.

Butoh passou a ser uma linguagem que expressaria tudo aquilo que era contrário ao belo e ao perfeccionismo do teatro oriental pré-guerra. Eles buscam o grotesco, o feio, o absurdo. Figurinos desfigurados, desenhos corporais introspectivos e movimentos que buscavam o desequilíbrio, a queda, a morte. Há um detalhe a se ressaltar: a cultura oriental não acredita na morte como um fim, e sim o início de um novo ciclo, uma transformação. E o Butoh dança essa transformação, e se adequou às linguagens contemporâneas sem mesmo ter contato com elas: é, definitivamente, uma expressão de nosso tempo, da realidade e não mais de uma verossimilhança relação histórica. Nesse ponto a dança Butoh passa a dialogar com a Dança Contemporânea.

Após a morte de seu mestre e precursor da dança Butoh, Tatsumi Hijikata decide incorporar à linguagem Butoh as técnicas que vinham se desenvolvendo na Europa, de uma dança onde o sentimento é o gerador do movimento. "O que me interessa não é como as pessoas se movem, mas sim o que as move” era a frase que Bausch colocara para suas peças, se voltando contra a tradição do Modern Dance. Motivada por Kurt Joos e atmosfera criativa da escola Folkwangschule de Essen, que unia sob o mesmo teto todas as expressões artísticas. Vendo de tudo e aprendendo com tudo, a dança tomou seu tom expressivo: Ela se voltou para uma dança cênica obstinada e contundente, diretamente ligada ao teatro falado. Colagens de música popular, clássica, free jazz e enredos fragmentários culminaram numa nova forma de encenação, caracterizada por ações paralelas, contraposições estéticas e uma linguagem corporal incomum para a época.

Como Kazuo Ohno dizia, “todo mundo pode dançar Butô”, talvez não o Butô japonês, mas todos podem encontrar seus próprios movimentos na forma Butô. Para ter sucesso nesta pesquisa, é necessário deixar suficiente espaço vazio para que novas ideias e imaginações com novos padrões de movimento possam se desenvolver na mente e no corpo. É a forma de tornar o invisível visível. O mínimo de movimento proporciona o crescimento da expressão de sentimentos e imagens na maior intensidade. É mais importante manter o equilíbrio entre energia, tensão e controle que cuidar da estética dos movimentos. E isso tem, com certeza, tudo a ver com a dança contemporânea apresentada por Pina Bausch, não acham?



Fontes:

http://agitosp.wordpress.com/2011/02/24/mestre-do-estilo-butoh-ma-tadashi-endo-se-apresenta-no-teatro-de-danca%C2%A0com-%E2%80%9Cikiru%E2%80%9D-uma-homenagem-a-pina-bausch/

http://www.teatrovilavelha.com.br/festivalvivadanca5/pt/programacao/oficinas.html

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,1682335,00.html

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