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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ao Mestre Com Carinho!


Em 2008, tive a fantástica oportunidade de assistir um monólogo em cartaz no Sesc de São Gonçalo, estado do Rio de Janeiro. Tratava-se de “Jung e Eu”.

Surpreendentemente o ator – o qual sempre fui fã – “segurou” toda a apresentação solitariamente e, ao mesmo tempo, preenchia todo o palco, todo o teatro num indescritível domínio de personagem, de fatos, de tudo. Igual a este somente Fernanda Montenegro em Simone de Beauvoir, num também monólogo de tirar o fôlego de qualquer um.

Ao terminar a apresentação, eu e minha amiga (Tatiana Pailos) decidimos ir de encontro a este “monstro” do teatro. Muito simpático e generoso, trocou conosco meia dúzia de palavras e aceitou fazer uma foto. Estar ao lado de um ícone do teatro brasileiro é, sem dúvida, uma dádiva.


Sérgio Britto em "Jung e Eu" (2008)












Neste final de semana me veio a notícia: ele fez sua passagem. Vários lamentaram, choraram por aquele carismático senhor de oitenta e oito anos, que tanto fez pelo nosso teatro, que atuou na televisão e no cinema de maneira brilhantemente igual. Confesso que no início, ao saber do fato, fui tomada por uma tristeza. Contudo, em seguida, aquilo foi se esvaindo...

 
Sua passagem para outra realidade é, sem questionamentos, no momento devido. Já estava tão debilitado e, ao mesmo tempo, cheio de planos para o futuro... Futuro esse que sempre pertencerá àqueles que construíram uma boa parte do Teatro Brasileiro, que são exemplo para todos nós. O futuro pertence aos que lutaram para que hoje pudéssemos ter esta arte – ainda que banalizada por muitos – com uma identidade própria. Agora temos, todos, de zelar para que as próximas gerações tenham a capacidade de fazer jus a este ideal, hoje real, e não sujeitar a arte cênica como algo menor e sem valor, o que ocorreu por muitos séculos, e fazermos no agora o melhor que pode ser feito.
 
Para mim, Sérgio Britto não morreu. Ele ainda vive no meu coração, na minha memória, neste meu desejo e realização de ser atriz e uma pessoa apaixonada pela Arte. A mim jamais deixará saudade, ele fez a parte que lhe cabia. E eu, e acredito que tantos outros, ainda estão aprendendo e degustando a lição do mestre. Ao Mestre, todo o meu carinho!




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